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VOCÊ JÁ ESCREVEU NO DINHEIRO?




Arte popular ou vandalismo?

As obras de Jac Leirner começam com a coleta de objetos comuns, frequentemente ligados ao universo do consumo. A atividade de colecionadora da artista fez com que ela viesse a conceber na década de 1980, uma série de trabalhos com papel-moeda.

Em seu livro Os Cem, 1987, a artista utilizou notas de 100 cruzeiros. As células eram furadas e presas em longas tiras, para depois serem espalhadas pelo chão.

A obra de Jac Leirner dialoga com a arte minimalista e nos remete ao construtivismo brasileiro, podemos dizer que ela possui uma característica conceitual em suas obras, entre outras vertentes explorada pela artista. Especificamente na obra “Os Cem” elas nos oferece o lado poético das frases populares escritas nas cédulas. Das mais rudes as mais apaixonadas, ela nos faz viajar nas mensagens sem destinatários, mensagens que podemos afirmar serem os primórdios das redes sociais no Brasil. Ela nos traz de maneira simples e objetiva os valores nacionais vigentes em papel moeda na época.




As cédulas de dinheiro que carregam as mensagens informais foram durante a década de 80 um dos maiores desesperos do Banco Central, que cuida da integridade das notas e sua reposição. Quem nunca escreveu no dinheiro? Nos dias atuais esta “arte” considerada vandalismo, por colecionadores e pelo BC, quase não é mais praticada em nosso país. Frases que as pessoas escreveram no dinheiro inspiraram simpatias e serviram de agenda para anotar um telefone endereço ou mandar um recado. A artista Jaq Lerner, que as reuniu no painel que ilustra nossa postagem também nos ofereceu o livro (Os cem), de 1987. E aquela pergunta ainda continua sem resposta! Você já escreveu no dinheiro? Eu já! Mas vou complicar mais um pouco. Você acha que é arte ou vandalismo?



O GOVERNO ILUMINADO - O Japão emerge como uma das grandes potências mundiais.



Moeda: 10 SEN 1904 - ERA: Meiji - Imperador: Mutsuhito – Acervo: Diniz – Metal: Prata
Adoro estudar as moedas japonesas por conta da complexidade em desvendar suas datas, períodos e a história de cada imperador. Certamente, as moedas japonesas são ricas em detalhes e nos oferecem viagens na história que nos deixam sedentos em saber sempre um pouco mais sobre elas. Esta peça que lhes apresento hoje, é uma recém chegada ao meu acervo. Catalogar estas peças requer paciência, estudo e paixão pela história como um todo. Claro que eu não postaria aqui toda a pesquisa feita em torno desta peça, mas quero lhes apresentar resumidamente o que uma moeda é capaz de nos oferecer quando a partir dela remontamos historicamente um período. A moeda nos diz que foi cunhada na era Mutsuhito, ele foi o 122.º imperador do Japão na lista tradicional de sucessão, tendo reinado de 3 de fevereiro de 1867 até à data da sua morte, em 30 de julho de 1912. Tal como todos os Imperadores Japoneses, desde a sua morte, é referido pelo seu nome póstumo. Desde a sua morte, uma nova tradição de dar o nome póstumo, o mesmo nome da era coincidente com o seu reinado foi estabelecida. Tendo reinado na Era Meiji (Governo Iluminado), Mutsuhito ficou conhecido por Imperador Meiji. Ao tempo do seu nascimento em 1852, o Japão era um país isolado do mundo, um estado feudal dominado pelo Shogunato Tokugawa e pelos Daimyo, que governavam os mais de 250 domínios descentralizados do país. Ao tempo da sua morte em 1912, o Japão tinha atravessado uma revolução política, social e industrial (a Restauração Meiji) e tinha emergido como uma das grandes potências mundiais.

A Restauração Meiji foi uma revolução que decorreu entre 1866 e 1868 onde o imperador Meiji foi o seu líder simbólico, e na qual o Shogunato Tokugawa foi abolido devido à vitória das forças imperiais na Guerra Boshin. A carta de juramento, uma declaração de cinco pontos, lida na coroação do Imperador Meiji, era uma declaração da natureza do novo governo, abolia o feudalismo e proclamava um governo democrático moderno para o Japão.

Mas apesar de um parlamento ter sido formado, ele não possuía qualquer poder, tal como o próprio Imperador. O poder tinha passado dos Tokugawa para os Daimyo e outros Samurais que tinham liderado a Restauração. O Japão era assim controlado pelos Genro, uma oligarquia que compreendia os homens mais poderosos das esferas militar, política e económica. O Imperador mostrou uma maior longevidade, pois foi o primeiro Imperador a ultrapassar a idade de 50 anos, desde a abdicação do Imperador Ōgimachi em 1586

A Restauração Meiji é uma fonte de orgulho para os japoneses, pois a revolução industrial que lhe sucedeu permitiu ao Japão desempenhar o seu papel proeminente no pacífico e tornar-se numa potência mundial no espaço de uma geração. No entanto o papel desempenhado pelo Imperador Meiji na restauração é bastante discutível. Ele não controlava o Japão, mas o grau da sua influência na restauração é pouco conhecido. É pouco claro se ele apoiou a Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) ou a Russo-Japonesa (1904-1905). Uma das poucas visões que temos sobre os sentimentos do imperador é a sua obra poética, que parece indicar uma postura pacifista ou ao menos um homem que desejaria que a guerra fosse evitada.

Perto do final do seu reinado, vários anarquistas, incluindo Shūsui Kōtoku, foram executados sob a acusação de terem conspirado para assassinar o soberano. A conspiração ficou conhecida como o Incidente de Alta Traição.

SEU ANTECESSOR: Imperador Komei foi o 121º imperador do Japão, na lista tradicional de sucessão. Reinou de 1846 a 1867 e o seu nome de nascimento foi Osahito. Durante seu reinado os ocidentais obtiveram a reabertura dos portos japoneses ao comércio internacional. O Imperador Komei foi o quarto filho do Imperador Ninko. A sua mulher foi Kujō Asako, postumamente baptizada Sukulito Sakayamas. O Imperador Meiji foi o seu segundo filho cuja mãe foi a Dama de Companhia Nakayama Yoshiko.

Para entender:

-Shogunato Tokugawa: O Tokugawa bakufu foi uma ditadura feudal estabelecida no Japão em 1603 por Tokugawa Ieyasu e governada pelos xoguns da família Tokugawa até 1868. Este período foi conhecido como o Período Edo.

-Daimiô ou dáimio é um termo genérico que se refere a um poderoso senhor de terras no Japão pré-moderno, que governava a maior parte do país a partir de suas imensas propriedades de terra hereditárias. No termo, "dai" literalmente significa "grande" e "myō" vem de myōden, que significa "terra particular". Foram os mais poderosos senhores de terras do período que foi do século X a meados do século XIX na história do Japão, depois dos xogum. Desde os shugo do período Muromachi, passando pelos sengoku, até os daimiôs do período Edo, o cargo teve uma história longa e variada. O termo "daimiô" por vezes é usado para se referir às principais figuras dos clãs japoneses, também chamados de "Senhores".

-A Restauração Meiji, foi a derrubada do Xogunato Tokugawa. Refere-se a uma série de transformações do regime teocrático do governo do Imperador Meiji. As mudanças se deram nas áreas do governo, instituição, educação, economia, religião, entre outros. A restauração transformou o Império do Japão na primeira nação asiática com um moderno sistema de nação-estado.

O ENCONTRO DE DOIS MUNDOS

A moeda que Comemorou o V Centenário do Descobrimento da América 1492-1992.


Muitos historiadores rechaçam com veemência o termo que utilizo para iniciar esta postagem. “O encontro de dois mundos” uma frase emblemática que transcende a imagem ilustrativa da moeda exposta e mostra que a visão outrora defendida por grande parte dos historiadores está verdadeiramente errada. Quando digo encontro, acabo por mostrar que assim deveria ter sido a chegada de uma cultura frente à outra em qualquer lugar do mundo, pois não podemos chamar neste caso uma cultura civilizada aquela que possui certo desenvolvimento em claro comparativo com as demais menos desenvolvidas, assim, estaríamos confundindo civilização com desenvolvimento. Os índios brasileiros na época deste “encontro” com os europeus portugueses, dentro de sua cultura, eram civilizados ao seu modo de vida e prática do dia a dia. Nossos índios possuíam leis e todas as estruturas que uma civilização depende para prosperar. Mas o encontro comemorado nestas moedas de 1992, é o encontro de Colombo com os povos americanos - história chama pré-colombianos -
Na ideia do encontro há o reconhecimento da vitalidade da região atualmente chamada de América nuclear: México, Andes Centrais, parte da América Central e Caraíbas. Zonas que concentravam perto de 80% da população continental, desenvolvendo no México e no Peru, uma agricultura de rendimento elevadíssimo. Mas quando falamos em México ou Peru não devemos nos restringir, como de costume, aos povos mais conhecidos como astecas, maias e incas, que foram os últimos impérios a destas regiões.
No México, os primeiros sinais de agricultura datam de milênios antes de Cristo. Foi em Teotihuacan que se desenvolveu as técnicas de construção arquitetônica, o artesanato em ouro e prata de que os mexicanos seriam herdeiros. A agricultura atingiu elevado nível que séculos depois, os espanhóis encontrariam no mundo asteca. A confederação Asteca, não foi senão a ultima estrutura imperial do centro do México, baseada em uma complexa tributação, envolvendo comunidades camponesas e inúmeras cidades. Através dessa rede chegava aos Astecas a mais variada sorte de produtos, desde alimentos às plumas e pedrarias que adornavam vestes de guerreiros e sacerdotes mexicanos.
No Peru, não foram os incas os primeiros a desenvolver a agricultura ou a construir cidades. Um bom exemplo de desenvolvimento da região costeira peruana é o poderoso reino dos Chimus (séc. XIII), cujo modelo administrativo e de construção de grandes obras acabaria sendo adotado pelos incas, a partir do século XV. O Estado Inca unificou politica e administrativamente o conjunto da região andina central, apoiando-se na rede de confederações preexistentes. Inspirados no modelo dos chimus, a quem derrotaram no séc. XV, os incas construíram um império burocratizado e militarizado, que cobrava prestações de trabalho às aldeias, sem deixar de compensá-las nas épocas difíceis. Verticalizaram os sistemas de reciprocidade e redistribuição característicos da economia das aldeias. O império inca talvez tenha sido o mais poderoso dos Estados pré-colombianos.
Os Tupi-Guarani, desenvolveram atividades agrícolas, além de serem exímios caçadores e pescadores. A população, certamente era tecnologicamente menos desenvolvida e em menor número populacional do que as dos planaltos mexicanos e andinos que ultrapassava a marca de um milhão de pessoas. 
Ao tratar a história dos povos ameríndios, é preciso evitar a terrível armadilha de valorizar critérios de tipo tecnológico ou político. Realçar exclusivamente as culturas ameríndias que mais desenvolveram o controle da natureza, as que construíram cidades, hierarquias e Estados significa, recolocar o europocentrismo em cena, valorizando traços supostamente assimiláveis aos ocidentais. Considero melhor do que falar em descoberta da América, falar em encontro de culturas. Encontros, desencontros e confrontos... Assim ficou marcado este encontro de dois mundos tão distintos, mas ao mesmo tempo tão parecidos em sua organização de uma forma geral. Povos civilizados que o mundo mantém em um patamar desigual diante de outras culturas que a história brinda com o trono da importância dos estudos acadêmicos.

O QUE ACONTECEU DEPOIS QUE MARCO POLO DESCOBRIU O DINHEIRO DE PAPEL?



De uma grande descoberta aos caminhos tortuosos da economia global.

Todos nós temos uma visão sobre a economia mundial e principalmente sobre a economia de nosso próprio país. Comigo não é diferente! Então, resolvi trazer um artigo que conta além do romantismo e poesia de uma descoberta, mas desenvolve os fatos, ligando os acontecimentos de uma forma dinâmica e didática. Forma que irá fazer você compreender um pouco sobre economia e lhe trará uma visão das perdas financeiras que o nosso país vem sofrendo por não saber usar os próprios recursos. Nossa história remonta os fatos ocorridos na vida de um jovem explorador Italiano chamado Marco Polo, este jovem escreveu belas e curiosas linhas sobre suas viagens pela China. “O Livro das Maravilhas” está repleto de episódios que ele diz ter presenciado e vivido. Mas uma das histórias contadas por ele teve uma importância especial para mim e serviu como inspiração para o desenvolvimento deste artigo. Falo do momento em que Marco Polo se tornou um dos primeiros europeus a conhecer uma das maiores invenções do homem. Invenção que que até hoje fundamenta e baseia a economia moderna mundial. Estamos falando do dinheiro de papel! Hoje não importam as particularidades e tão pouco de que as cédulas modernas são feitas, pois sabemos que o papel puramente dito não é mais utilizado na maioria dos países pelo mundo. Hoje temos cédulas confeccionadas a partir de fibras de algodão, alguns tipos de plástico e muitos outros materiais. Mas o dinheiro chinês que foi conhecido e descoberto por Marco Polo naquele momento da história, era estampado em papel totalmente artesanal. Aquela invenção provocou um verdadeiro fascínio em Marco Polo.


Como era estampado o dinheiro visto por Marco Polo?

Primeiro o papel era fabricado a partir de cascas de amoreiras, esta era sua liga básica, já confeccionado, também continha a assinatura de diversas pessoas. Para sua autenticação e legalização como moeda corrente, era utilizado um selo vermelho e brilhante proveniente do imperador Gengis Khan, que estava no poder durante as viagens do explorador. No livro de Marco Polo, suas observações sobre o dinheiro de papel estão em um capítulo chamado "Como o grande Kahn faz com que a casca de árvores, convertida em algo similar a papel, passe como dinheiro em todo o país". Isto já demonstrava o quanto Marco Polo ficou encantado por esta invenção. A novidade vista por Marco Polo ia muito além do material de que estas cédulas eram feitas, mas o que lhe chamava a atenção era que o valor dessas notas não vinha do objeto em si (ao contrário de moedas de ouro, prata e cobre), mas do respeito pela chancela das autoridades do governo. Que eram bastante em poder para que com somente uma ordem do Khan, para que as cascas com o carimbo oficial se transformassem em dinheiro. Uma clara demonstração de poder e respeito. Se o Khan ordenava, então “Assim seja!” (O papel-moeda antigamente era chamado de dinheiro fiat, nomenclatura que em latim significa "assim seja").


Mas onde está o ouro? Eu prefiro o Nióbio!

Marco Polo ficou deslumbrado com a genialidade com que sistema financeiro chinês era aplicado. Ele se perguntava onde ficava o ouro que não estava circulando por todo o território. Mas existia uma resposta! O ouro estava sob o controle rigoroso e extremamente protegido do imperador. É bom lembrar que o dinheiro de papel não era uma prática nova quando Marco Polo o conheceu. Na verdade o dinheiro de papel surgiu por volta do ano 1000 na província chinesa Sichuan, hoje mais conhecida por sua culinária do que pelo invento que mudou o mundo. Naquela época, a província de Sichuan fazia fronteira com Estados estrangeiros e convivia com a hostilidade de seus vizinhos. Mas a principal questão é que as autoridades chinesas não queriam que ouro e prata fossem parar no exterior. Então, impuseram a lei de que Sichuan usaria apenas moedas de ferro. O problema era a disparidade de valores:
Um punhado de moedas de prata, por exemplo, era convertido em mais que o peso do interessado se convertido para ferro. Isso criava sérios problemas para os comerciantes de Sichuan e seus clientes. Era ilegal usar moedas de ouro e prata no comércio, além de não ser nada prático o uso do ferro como moeda corrente. Com tudo isso, surge como alternativa os jiaozi ou bilhetes de intercâmbio. Tratava-se simplesmente de notas promissórias. Em vez de carregar quantidades absurdas de moedas de ferro, um mercador conhecido e de boa reputação poderia fazer uma promessa de que pagaria as contas em outro momento, quando a transação fosse mais conveniente para todos. A ideia fazia sentido e era muito prática, mas logo ocorreu algo inesperado - os jiaozi (notas promissórias em papel) começaram a ser comercializados livremente. Mas vamos dar um exemplo para que você entenda melhor a situação! Mentalize a cena descrita colocando-se no lugar das personagens. Suponhamos que, depois de uma transação com o respeitável senhor Mhing, você recebe em troca uma promissória. Em uma transação com outro comerciante, você poderia emitir uma nota, mas por que não fazer algo mais simples e passar a promissória de Mhing? Afinal, sabemos que ele é de confiança! A partir daí, cria-se uma versão primitiva (ou o pai) do dinheiro de papel: uma promessa de reembolso que tem valor de mercado em si mesma e que pode ser transferida de uma pessoa para outra sem ser cobrada. O negócio é ainda mais interessante para o senhor Mhing. Se sua promissória continuar passando de pessoa para pessoa, ele jamais terá que carregar moedas de ferro. É como se desfrutasse de um empréstimo sem juros durante todo o tempo em que a promissória circular. Melhor ainda: um empréstimo que talvez nunca tenha que pagar. Sendo assim, as autoridades chinesas perceberam que podiam ser as beneficiárias do sistema. Regulamentando a emissão de jiaozi e seu uso. Mas pouco depois, proibiriam os jiaozi privados (Emitidos pelos comerciantes lá no inicio da história). E criando o título oficial que realmente foi um sucesso e circulava por várias regiões, até fora do país. Tinha mais valor que as pesadas moedas de ferro, pois eram mais simples de transportar. Inicialmente, o jiaozi emitido pelo governo chinês podia ser cobrado livremente, assim como os privados. O sistema era bastante lógico, pois assumia que as notas representavam algo de valor real. Mas o governo modificou o sistema mais tarde, criando um esquema fiat, abandonando a prática de pagar em metal pelos jiaozi.

Se você chegasse ao Tesouro para cobrar um jiaozi velho, você sairia com outro mais novo. Um passo bastante moderno para a época. Afinal, o dinheiro que usamos hoje é criado por bancos centrais e não está respaldado por muito mais que a promessa de troca de notas velhas por novas.

Saímos da situação em que a promissória do senhor Mhing circulava sem ser cobrada, para a bizarra situação em que, apesar de nunca poderem ser liquidadas, as notas do governo circulavam livremente. O dinheiro fiat é uma tentação para os governos até hoje! Pois uma gestão com muitas contas para pagar pode simplesmente imprimir mais dinheiro. Porém, quando há mais dinheiro para pagar pela mesma quantidade de bens e serviços, os preços tendem a subir. Colocando a inflação nas alturas e gerando um grande colapso financeiro em uma economia com este perfil. Mas essa tentação logo se tornou irresistível para os chineses! A dinastia Song emitiu jiaozi demais, e surgiram as falsificações que logo se tornariam um problema. Somente algumas décadas depois de sua invenção, o jiaozi entraria em desvalorização e descrédito. Chegando a ser negociado somente por 10% de seu valor original.

Saindo do tempo de descobertas de Marco Polo e trazendo para a nossa realidade, as coisas foram bem piores para outros países que não conseguiram fugir das péssimas gestões financeiras. A Alemanha no período entre a primeira e a segunda guerra mundial e o Zimbábue do século 21 são dois exemplos de países que sofreram um colapso econômico quando o excesso de impressão de dinheiro fez com que os preços disparassem, com inflações que chegaram aos níveis inimagináveis.

Na Hungria, em 1946, um caso de hiperinflação fez com que os preços triplicassem diariamente. Quem entrava em um mercado de Budapeste, por exemplo, ficava em mais vantagem se pagasse a conta na entrada do que na saída.

O Brasil sofreu com inflações em vários períodos de sua história financeira, Foram muitos os padrões monetários e juntamente com eles os equívocos de equipes econômicas incompetentes, que não sustentavam ou sequer conseguiam dar lastro para as moedas que por décadas afundaram o Brasil em um mar de inflação, padrão após padrão monetário. Veio o Real, a coisa ficou estabilizada, mas para os mais experimentados (pelas circunstâncias da vida) o real vem afundando! Hoje nos encontramos em uma tremenda crise financeira lastreada por corrupção, que assustaria até mesmo Marco Polo! Mas isto é outra história... Tais exemplos citados convenceram alguns economistas mais radicais que o dinheiro fiat jamais pode ser estável. Muitos defendem a volta do padrão-ouro, o sistema monetário que vigorou até a Primeira Guerra Mundial e no qual o papel-moeda tinha que ser garantido por valor igual o do metal precioso. No caso do Brasil poderíamos ter nossa economia baseada e lastreada não pelo ouro, mas pelo Nióbio, metal utilizado na indústria de alta tecnologia, como a fabricação de turbinas para jatos e outras demandas de grande importância para a indústria mundial. O Brasil conta com 98% das reservas mundiais deste metal, nos dando o monopólio do minério, nosso país responde atualmente por mais de 90% do volume do metal comercializado no planeta. As maiores jazidas se encontram nos estados de Minas Gerais (75% do total), Amazonas (21%) e em Goiás (3%). Ainda não foi utilizado oficialmente na fabricação de moedas brasileiras. Mas nosso país vem desperdiçando esta riqueza vendendo o Nióbio em seu estado bruto, perdendo a oportunidade de agregar valor ao metal e com isso aumentar a fatia de arrecadação em um setor que somos soberanos, dominantes e que certamente seria o lastro ideal para uma economia que emergia e se tornaria potência com a correta administração deste recurso. No entanto, economistas tradicionais rejeitam a ideia do padrão-ouro (E certamente rejeitariam meu ponto de vista sobre o Nióbio) e consideram que uma inflação baixa e previsível pode servir com uma espécie de lubrificante para a atividade econômica em qualquer economia do mundo. E, apesar de que nem sempre podemos confiar que os bancos centrais vão imprimir a quantidade correta de dinheiro novo, talvez a ideia faça mais sentido do que confiar que a quantidade correta de ouro será escavada. (Mas o Nióbio nos oferece a garantia que o ouro não consegue oferecer) Marco Polo estaria sentado em uma cadeira observando atentamente ao debate... Imagine só! Imprimir dinheiro é especialmente útil para algumas economias em tempos de crise. No ano de 2007, o governo americano injetou na economia bilhões de dólares sem criar inflação. Nem foi preciso imprimir mais dinheiro! Esses bilhões foram, dígitos que computadores injetaram no sistema bancário global (totalmente virtual). Se Marco Polo estivesse vivo, certamente iria alterar o título do capítulo sobre dinheiro em seu livro. Colocando algo mais ou menos assim:
"O homem e sua ganância pelo dinheiro”
Talvez o capitulo pudesse até se tornar mais tarde um livro, pois o mercado financeiro é flutuante, repleto de probabilidades, riscos calculados ou não, cheio de ganância, corrupção, e aflora muito além de uma simples curiosidade como a de Marco Polo e sua veia gananciosa... A tecnologia mudou o mundo financeiro e econômico, mas o que serve como dinheiro não deixar de assombrar nos dias de hoje. O dinheiro continua sendo a raiz de toda maldição a curto ou a longo prazo. Sabe a pergunta que é o titulo de nossa postagem... Ela não tem uma resposta! Nem mesmo você sabe o que acontecerá em sua vida depois que se descobre o dinheiro.

Este artigo tem como fontes:

*Autor: Polo, Marco – “O livro das maravilhas”
Tradutor: BRAGA JUNIOR, ELOI
Editora: L&PM EDITORES – 1999

*HARFORD, TIM - Economista – “50 Coisas que Criaram a Economia Moderna - BBC (em inglês),”

*DINIZ, BRUNO – Artigo: 2016 - NIÓBIO – “O MINÉRIO BRASILEIRO NAS MOEDAS DO MUNDO”
A visão apresentada sobre o Nióbio representam meus estudos e opiniões pessoais sobre o tema. Acompanhando a linha de raciocínio e visão a frente do seu tempo do Dr. Enéas Carneiro, que já nos avisava sobre a potência mineral alojada em solo brasileiro.

*Cédula: 1000 Liras - Itália - Acervo pessoal.

NÃO VALE UMA PATACA...

Você sabe o verdadeiro significado de alguns ditados populares?

Os ditados populares sempre são utilizados, mas uma pequena parte da população desconhece seu significado e muitas vezes distorcem o próprio ditado (rsrsrs). O universo da numismática também foi alvo de alguns ditados. Nesta postagem quero iniciar com um ditado muito conhecido por todos e que tem como referência o tema desta coleção! Mas também quero mostrar muitos outros que você pode ou não conhecer. Eles fazem parte da Cultura linguística brasileira e são variados e divertidos, como também contam um pouco da história do nosso país. Então vamos começar com um ditado numismático... Vamos lá?

NÃO VALE UMA PATACA ou NÃO VALE MEIA PATACA - A pataca era uma moeda de prata da época colonial e que valia 320 réis e que ainda circulou durante algum tempo depois da nossa emancipação política e a meia pataca era a moeda de 160 Réis também do mesmo período. Ainda hoje, quando uma pessoa não tem qualidades, diz-se que não vale uma pataca ou até mesmo meia pataca!

A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS - Essa é obvia. Quem realmente sabe das coisas é o povo. Antigamente, as pessoas consultavam o deus Hermes, na cidade grega de Acaia, e faziam uma pergunta ao ouvido do ídolo. Depois o crente cobria a cabeça com um manto e saía à rua. As primeiras palavras que ele ouvisse eram a resposta a sua dúvida.

ABRAÇO DE URSO - Um abraço significa demonstração de amizade e afeto. Já a expressão significa puro fingimento ou traição. É que é da natureza do urso fazer isso, só que, nessa hora, ele prepara é um ataque que pode levar a pessoa abraçada à morte.

ACABAR TUDO EM PIZZA - Uma das expressões mais comuns quando alguém quer criticar a política é: “tudo acabou em pizza.” Trata-se de quando algo errado é resolvido sem que ninguém seja punido e sem nenhuma solução adequada. O termo surgiu através do futebol. Na década de 60, alguns cartolas palmeirenses se reuniram para resolver alguns problemas e durante 14 horas seguidas de brigas e discussões, estavam morrendo de fome. Então, todos foram a uma pizzaria, tomaram muito chope e pediram 18 pizzas gigantes. Depois disso, foram para casa e a paz reinou absolutamente. Depois desse episódio, Milton Peruzzi, que trabalhava na Gazeta Esportiva, fez uma manchete: “Crise do Palmeiras termina em pizza”. Daí em diante o termo pegou.

ACABOU-SE O QUE ERA DOCE – Como toda criança e alguns adultos gostam de doce, essa expressão é uma forma delicada de negar aquilo que pediram, ou dizer que terminou, aquilo que a pessoa estava gostando tanto. É uma maneira menos agressiva de dizer um retumbante NÃO. Exemplos: acabou-se as férias, o carnaval, o namoro, o dinheiro, etc.

ACORDO LEONINO - Um «acordo leonino» é aquele em que um dos contratantes aceita condições desvantajosas em relação a outro contratante que fica em grande vantagem. A sua origem vem das fábulas, onde o leão se revela como todo-poderoso.

ADVOGADO DO DIABO - Essa expressão teve origem na Igreja Católica. Quando um processo de santificação tem inicio, o Vaticano escolhe um de seus membros para investigar se os milagres atribuídos ao candidato são de fato verdadeiros. Essa pessoa passou a ser chamada, então, de advogado do diabo, pois iria trabalhar para comprovar algumas irregularidades e inverdades contra o candidato a santo.

AFOGAR O GANSO - Significa relação sexual; masturbação. É que no passado, os chineses costumavam satisfazer as suas necessidades sexuais com gansos. Pouco antes de ejacularem, os homens afundavam a cabeça da ave na água, para poderem sentir os espasmos anais da vítima.

AGORA É QUE A PORCA TORCE O RABO – Significa que se chegou a um ponto máximo da problemática de algum processo, seja qual for. É o momento mais difícil, mais crucial de um problema, O berço da expressão vem do comportamento instintivo dos suínos. Quando em estresse, na defesa de suas crias, eles enrolam ou torcem o rabo como sinal de sua fúria e partem para cima do agressor.

ANDAR À TOA - Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está "à toa" é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. O significado da expressão, por conseguinte, é andar sem destino, despreocupado, passando o tempo. Ou então uma pessoa sem determinação, que é comandada pelos outros.

ARCO DA VELHA – Uns dizem que a expressão tem origem no Antigo Testamento. Seria o sinal do pacto que Deus fez com Noé. Arco da velha seria uma simplificação de Arco da Lei Velha. Mas há também diversas histórias populares que defendem outra origem da expressão, como a da existência de uma velha no arco-íris, sendo a curvatura do arco a curvatura das costas provocada pela velhice, ou devido a uma das propriedades mágicas do arco-íris - beber a água num lugar e enviá-la para outro, pelo que velha poderá ter vindo do italiano bere (beber).

BAFO DE ONÇA - A onça é um animal carnívoro e se lambuza na hora de comer a caça, por isso fede muito e sua presença é detectada à distância na mata. Devido a isso, o hálito fétido passou a se chamar popularmente de bafo de onça. Também significa o hálito de quem está (ou esteve) alcoolizado. (Autor: Hélio Consolaro).

BATATINHA QUANDO NASCE, ESPARRAMA PELO CHÃO – Trata-se de um conhecido ditado popular. Mas sua origem era “batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”.

BATER NA MADEIRA – Historicamente, a árvore a ser tocada era o carvalho, venerado por sua força, altura imponente e poderes sobrenaturais. O culto surgiu há cerca de 4 mil anos entre os gregos e depois entre algumas tribos indígenas da América. Eles observaram que o carvalho era freqüentemente atingido por raios e pressupuseram que a árvore fosse a moradia do deus-céu (índios) e deus dos relâmpagos (gregos). E acreditavam que qualquer pensamento ou palavra de mau-agouro poderia ser neutralizada batendo-se na base do carvalho, pois a pessoa estaria se contatando com o deus e pedindo ajuda. Atualmente dá-se uma pequena batida em qualquer madeira para afastar um pensamento ou presságio ruim.

CAGADO E CUSPIDO - Sua origem tem algumas variações. Uma delas é “calcado e esculpido” (que se calcou/comprimido). Uma outra é “em carrara esculpido”, onde carrara é um tipo de mármore usado para esculpir e que deixa as peças mais “bem feitas” que outros tipos de mármores usados. Há ainda uma outra variante para tal expressão: “encarnado e esculpido”, como se o rosto e o espírito de alguém estivessem entranhados no rosto ou no corpo de outra pessoa. Significa muita semelhança entre duas pessoas. (Colaboração de Fabíola Luna e prof. Marcio Cotrim).

CAIR A FICHA - A expressão ainda é bastante popular, mas já não faz sentido, pela simples razão de que não se usa mais ficha para falar em telefone público. Agora é cartão. Desde 1930, os telefones públicos funcionavam com moedas de 400 réis. Veio a inflação, e galopante, o que fez com que, a partir dos anos 70, o governo preferisse a utilização de fichas. Só com elas seria possível acionar os chamados orelhões, equipamento urbano muito conhecido nas cidades brasileiras. Esse tipo de ficha só caía após ser completada a ligação, o que fez nascer a expressão cair a ficha, ou seja, o momento em que conseguimos entender alguma coisa. As fichas desapareceram em 1992 e deram lugar aos cartões, até hoje em vigor, mas a expressão continua sendo lugar comum em nosso quotidiano.

CALCANHAR DE AQUILES – Vem da mitologia. A mãe de Aquiles, Tétis, com o objetivo de tornar seu filho invulnerável, mergulhou-o, ainda bebê, num lago mágico, segurando o filho pelos calcanhares, que tendo ficado fora da água, foi a única parte de seu corpo a não se beneficiar com a magia. Páris feriu Aquiles, na Guerra de Tróia, justamente nesse calcanhar, matando-o. Portanto, o ponto fraco ou vulnerável de um indivíduo, por metáfora, é o calcanhar de Aquiles.

CANTO DO CISNE - Dizia-se antigamente que o cisne emitia um belíssimo canto pouco antes de morrer. A expressão canto do cisne representa então as últimas realizações de alguém.

CARA DE UM, CU DE OUTRO – A expressão original era “cara de um, cútis do outro” , para expressar semelhança entre duas pessoas.

CASA DA MÃE JOANA - Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a menoridade do Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro cuja proprietária se chamava Joana. Como, fora dali, esses homens mandavam e desmandavam no país, a expressão casa da mãe Joana ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.

CHÁ DE CADEIRA – Tem a ver com atraso; com muito atraso. Historicamente, os nobres e fidalgos consideravam-se superiores às outras pessoas. Quando seus súditos queriam alguma audiência, eles eram acomodados em cadeiras e esperavam muito até serem atendidos, pois seus senhores atrasavam bastante para salientar o privilégio de poder fazê-lo. Os empregados, então, serviam chá para essas pessoas, que “mofavam” nas salas de espera, como uma forma de amenizar os longos atrasos. Daí surgiu essa expressão.

CHATO DE GALOCHA – Significa pessoas muito chatas, resistente e insistente. A galocha era um tipo de calçado de borracha colocado por cima dos sapatos para reforçá-los e protegê-los da chuva e da lama. Por isso, há uma hipótese de que a expressão tenha vindo da habilidade de reforçar o calçado. Ou seja, o chato de galocha seria um chato resistente e insistente.

CHEGAR DE MÃOS ABANANDO - Os imigrantes, no século passado, deveriam trazer as ferramentas para o trabalho na terra. Aqueles que chegassem sem elas, ou seja, de mãos abanando, davam um indicativo de que não vinham dispostos ao trabalho árduo da terra virgem. Portanto, chegar de mãos abanando é não carregar nada. Ele chegou de mãos abanando ao aniversário, significa que não trouxe presente para o aniversariante, que terá de se satisfazer apenas com a presença do amigo.

CHORAR AS PITANGAS - O nome pitanga vem de pyrang, que, em tupi, significa vermelho. Portanto, a expressão se refere a alguém que chorou muito, até o olho ficar vermelho.

COM A PÁ VIRADA - Um sujeito da pá virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio. Mas sua origem tem relação com o instrumento, a pá. Quando a pá está virada para baixo, voltada para o solo, está inútil, abandonada pelo homem vagabundo, irresponsável, parasita. Hoje em dia, o sujeito da "pá virada" tem outro sentido. Ele é O "bom". O significado das expressões mudam muito no Brasil, com o passar do tempo. E aqui está um exemplo.

COLOCAR NO PREGO - A origem dessa expressão vem do fato de que nas antigas casas comerciais – tabernas, empórios, farmácias – existia um prego onde o comerciante espetava as contas de quem pedia para pagar depois. Quando o freguês retornava para quitar a dívida, o dono tirava os papéis do prego, somava os valores e cobrava. Colocar no prego é colocar no pendura, comprar fiado, pagar depois. Ainda hoje alguns comerciantes, que não gostam disso, exibem um cartaz bem visível que avisa: “Fiado só amanhã”.

CONTO DO VIGÁRIO - Duas igrejas de Ouro Preto receberam, como presente, uma única imagem de determinada santa, e, para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários apelaram à decisão de um burrico. Colocaram-no entre as duas paróquias e esperaram o animalzinho caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E o burrico caminhou direto para uma delas... Só que, mais tarde, descobriram que um dos vigários havia treinado o burrico, e conto do vigário passou a ser sinônimo de falcatrua e malandragem.

DA COR DE BURRO QUANDO FOGE – O ditado original era “corra de burro quando (ele) foge”, que era um aviso de perigo próximo e iminente.

DAR COM OS BURROS N`ÁGUA - A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde alguns dos burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

DE CABO A RABO - Significado: Total conhecedor. Conhecer algo do começo ao fim. Histórico: Durante o período das grandes navegações portuguesas, era comum se dizer total conhecedor de algo, quando se conhecia este algo de "cabo a rabah", ou seja, como de fato conhecer todo o continente africano, da Cidade do Cabo ao Sul, até a cidade de Rabah no Marrocos (rota de circulação total da África com destino às Índias).

DE MEIA-TIGELA - Na linguagem popular, é coisa de pouco valor. A origem da expressão nos leva aos tempos da monarquia portuguesa. Nela, as pessoas que prestavam serviço à Corte – camareiros, pajens, criados em geral – obedeciam a uma hierarquia, com obrigações maiores ou menores, dependendo do posto de cada um. Alimentavam-se no próprio local de trabalho e recebiam quantidade de comida proporcional à importância do serviço prestado. Assim, alguns comiam em tigela inteira, outros em meia-tigela, critério definido pelo Livro da Cozinha del Rey e rigorosamente observado pelo funcionário do palácio, que supervisionava as iguarias que chegavam à mesa real – na verdade, o grande fiscal da comilança palaciana. Hoje, essa prática deixou de existir, mas ficou o sentido figurado da expressão, que continua designando coisas ou pessoas irrelevantes no seu meio social.

DEIXAR AS BARBAS DE MOLHO - Na antiguidade e na Idade Média, a barba significava honra e poder. Ter a barba cortada por alguém representava uma grande humilhação. Essa idéia chegou aos dias de hoje nessa expressão, que significa ficar de sobreaviso, acautelar-se, prevenir-se.

DOR DE COTOVELO - A expressão, usada para se referir a alguém que sofreu uma decepção amorosa, causando tristeza ou ciúmes, tem sua origem na figura de uma pessoa sentada em um bar, com os cotovelos em cima do balcão enquanto toma uma bebida e lamenta a má sorte no amor. De tanto o apaixonado ficar com os cotovelos apoiados no balcão, eles iriam doer. A partir daí que surgiu a expressão “dor-de-cotovelo”.

DOR DE VEADO – Sua origem era “dor desviada”, para designar uma dor fina na barriga, que muda de lugar.

DOSE PARA ELEFANTE (OU PARA CAVALO, OU PARA LEÃO) - Significa quantidade excessiva; demasiada. Essas variantes circulam com o mesmo significado e atendem às preferências individuais dos falantes. Supõe-se que o cavalo, por ser forte; o elefante, por ser grande, e o leão, por ser valente, necessitam de doses exageradas de remédio para que este possa produzir o efeito desejado. Com a ampliação do sentido, dose para cavalo e suas variantes é o exagero na ampliação de qualquer coisa desagradável, ou mesmo aquelas que só se tornam desagradáveis com o exagero.

DOURAR A PÍLULA - Antigamente as farmácias embrulhavam as pílulas amargas em papel dourado para melhorar o aspecto do remedinho. A expressão dourar a pílula significa melhorar a aparência de algo ruim.

ENFIAR O PÉ NA JACA – O correto é enfiar o pé no jacá. Antigamente, os tropeiros paravam nas vendinhas, a meio caminho, para tomar uma pinga. Quando bebiam demais, era comum colocarem o pé direito no estribo e, quando jogavam a perna esquerda para montar no burro, erravam e pisavam no jacá (o cesto em que as mercadorias eram carregadas) e levavam um grande tombo. Por isso, quando alguém bebia demais dizia-se que ele enfiaria o pé no jacá. A jaca, fruta, não tem nada com isso.

ENTRAR COM PÉ DIREITO - A tradição de dar sorte ao entrar em algum lugar com o pé direito é de origem romana. Nas grandes celebrações romanas, os donos das festas acreditavam que entrando com o esse pé, evitariam agouros na ocasião da festa. A palavra “esquerda”, no latim, significa sinistro, daí já fica óbvia a crença do lado obscuro dos inocentes pés esquerdos. A partir daí, a tradição se espalhou pelo mundo inteiro.

ERRO CRASSO – Licínio Crasso foi membro do primeiro triunvirato romano, juntamente com Pompeu e Júlio César. Era um político medíocre, ambicioso e interesseiro. Tomou a ofensiva na Síria contra os Partos, mas foi derrotado por um erro grosseiro de estratégia militar, que lhe custou a vida. Confiante na superioridade numérica de seu exército, e disposto a estraçalhar logo o inimigo, decidiu ganhar tempo cortando caminho por um vale estreito. Os sírios então fecharam as duas únicas saídas e o exército romano foi massacrado, incluindo ele próprio. Foi a decisão mais estúpida da história militar. Daí o significado da expressão.

ESTAR COM A MACACA - O berço da expressão significava que a pessoa estava possuída pelo demo. Em algumas culturas, palavras tipo demônio, capeta ou diabo são sinais de má sorte. Para atenuá-los, esses vocábulos têm sido substituídos por cão e macaca. Atualmente, a expressão caracteriza a pessoa nervosa, estressada, irritada.

ESTAR COM (OU DAR) ÁGUA NA BOCA – A expressão que, no sentido figurado, significa “provocar desejo”, tem por base a fisiologia animal. (principalmente os cães). É que o organismo desses animais, respondendo ao estímulo exterior, num “ato reflexo” espontâneo, provoca salivação abundante e facilmente induzida através do cheiro, gosto, presença ou pressentimento da chegada do seu alimento. 

ESTAR DE PAQUETE – Refere-se à situação das mulheres quando estão menstruadas.
Paquete é uma das denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres.

ESTÔMAGO DE AVESTRUZ - O estômago do avestruz é dotado de um suco gástrico capaz de dissolver facilmente da espécie de comida ingerida por esse animal. A expressão, então, define aquele que come de tudo.

FALAR PELOS COTOVELOS - A frase, que significa “falar demais”, surgiu do costume que as pessoas muito falantes têm de tocar o interlocutor no cotovelo a fim de chamar mais a sua atenção. O folclorista brasileiro Câmara Cascudo fazia referência às mulheres do sertão nordestino, que à noite, na cama com os maridos, tocavam-nos para pedir reconciliação depois de alguma briga.

FAZER A SESTA – A expressão significa descansar ou repousar depois do almoço e é um hábito que remonta aos antigos romanos. Chama-se sesta porque é a sexta hora do dia romano, iniciado às seis horas da manhã. O costume ocorre até hoje em alguns países, que fecham o comércio na hora da sesta, só reabrindo-o no meio da tarde. Estudos dizem que fazer a sesta reduz o risco de morte por doenças cardíacas.

FAZER BOCA-DE-SIRI - A expressão é empregada para designar aqueles que se mantêm discretos e reservados em relação a determinado assunto, que conseguem guardar segredo. Gente conhecida como moita. Mas por que se diz que essa pessoa tão prudente faz boca-de-siri? É porque a boca do bicho dificilmente se abre, ele fica no mocó.

FAZER NAS COXAS - As primeiras telhas do Brasil eram feitas de argila moldada nas coxas dos escravos. Como os escravos variavam de tamanho e porte físicos, as telhas ficavam desiguais. Daí a expressão fazendo nas coxas, ou seja, de qualquer jeito.

FAZER O QUILO – A palavra quilo no grego é khulós (suco, sumo), produto da digestão, a última fase dela, quando o alimento se transforma em massa líquida. A expressão, neste caso, deve ser entendida como fazer a digestão, processo que pode ser estimulado por uma caminhada tranqüila ou ir ao banheiro fazer o nº 2. Mas alguns pesquisadores afirmam também que a palavra quilo é africana e chegou ao Brasil por angolanos que falavam o idioma quimbundo. Em quimbundo, a palavra significa sono, daí o entendimento de que “fazer o quilo” é dar uma boa cochilada depois do almoço (sesta).

FAZER UMA VAQUINHA - A expressão “fazer vaquinha” surgiu na década de 20 e tem sua relação de origem com o jogo do bicho e o futebol. Nessa época, já que a maioria dos jogadores de futebol não tinha salário, a torcida do time se reunia e arrecadava entre si, um prêmio para ser dado aos jogadores. Esses prêmios eram relacionados popularmente com o jogo do bicho. Assim, quando iam arrecadar cinco mil réis, chamavam a bolada de “cachorro”, pois o número cinco representava o cachorro no jogo do bicho. Como o prêmio máximo do jogo do bicho era vinte e cinco mil réis, e isso representava a vaca, surgiu o termo popular “fazer uma vaquinha”, ou seja, tentar reunir o máximo de dinheiro possível para um fim específico.

FICAR A VER NAVIOS - Dom Sebastião, jovem e querido rei de Portugal (sec XVI), desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos. Provavelmente morreu, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por isso o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca, e era comum que pessoas subirem ao Alto de Santa Catarina, em Lisboa, na esperança de ver o Rei regressando à Pátria. Como ele não regressou, o povo ficava a ver navios.

FULANO DESARNOU – O certo era “fulano desasnou”, para designar que a pessoa deixou de ser asno (burro).

FULANO, BELTRANO E SICRANO - Fulano vem do árabe fulân ("tal"). No espanhol do século XIII, fulano era usado como adjetivo, mas depois tornou-se esse substantivo que designa algo que não sabemos o nome. Beltrano veio do nome próprio Beltrão, muito popular na Península Ibérica por causa das novelas de cavalaria. A terminação em ano veio por analogia com fulano. E Sicrano tem origem misteriosa.

GATOS PINGADOS - Seu significado tem sentido depreciativo, usando-se para referir uma suposta inferioridade (numérica ou institucional), insignificância ou irrelevância. Esta expressão remonta a uma tortura procedente do Japão, que consistia em pingar óleo a ferver em cima de pessoas ou animais, especialmente gatos. Existem várias narrativas ambientais na Ásia que mostram pessoas com os pés mergulhados num caldeirão de óleo quente. Como o suplício tinha uma assistência reduzida, tal era a crueldade, a expressão "gatos pingados" passou a denominar pequena assistência sem entusiasmos ou curiosidade para qualquer evento.

GUARDADO A SETE CHEVES - No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves” para designar algo muito bem guardado.

HOJE É DOMINGO PÉ DE CACHIMBO – É uma das rimas infantis mais conhecidas de nossa língua portuguesa e cultura. Mas o correto é Hoje é domingo pede cachimbo. O domingo é um dia especial para descansar e relaxar, fumando um bom cachimbo (para aqueles que fumam, naturalmente), num verdadeiro ócio.

IDÉIA DE JERICO – Essa é de fácil dedução. Na região Nordeste, Jerico é o mesmo que mula. A expressão, então, designa alguma idéia tola, já que, figurativamente, jumento é o mesmo que indivíduo imbecil.

JURAR DE PÉS JUNTOS - A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

LÁGRIMAS DE CROCODILHO - É uma expressão usada para se referir ao choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima.

LEVAR (OU COMER) GATO POR LEBRE – Uma lei do século XIII fixava o preço da pele de vários animais, como cordeiro, cabrito, raposa, lontra, marta e muitos outros bichos. A do gato fazia parte dessa lista e era muito barata (cerca de um terço da de raposa, sem falar nas peles de luxo como a de lontra ou a de marta). Em termos culinários, a carne de gato, depois de receber temperos que lhe fazem absorver melhor os condimentos, torna praticamente imperceptível a diferença entre ela e a de lebre. Por isso, a expressão significa ser enganado, ludibriado por algum vigarista.

MACACO VELHO NÃO PÕE A MÃO EM CUMBUCA - Existe uma árvore chamada sapucaia que dá um fruto em forma de cumbuca. Quando amadurece, a cumbuca desprende pequenas castanhas. Os filhotes de macacos enfiam a mão na abertura da fruta e ficam presos. Eles só conseguem sair quando fecham a mão e abandonam o fruto. O macaco velho, já experiente, não passa mais por isso.

MÃE (OU PAI, AVÔ OU AVÓ) CORUJA – A expressão nasceu da fábula “A Coruja e a Águia”, divulgada no Brasil por Monteiro Lobato. Ela conta que as duas aves fizeram as pazes e prometeram não comer mais os filhos da outra. E para que fossem reconhecidos pela águia e não mais devorados, a coruja orgulhosa estufou o peito e disse que seus filhos eram as criaturas mais bonitas da floresta, com penas lindas, olhar marcante e esperteza descomunal. Como todo mundo sabe, a águia não reconheceu os filhotes da coruja pela descrição que foi dada pela sua mãe e acabou devorando alguns monstrengos que piavam de bico aberto num ninho e que nem tinham forças para abrir os olhos. A expressão designa aquela pessoa que, além de se esmerar nos cuidados com os filhos, não vê defeito algum neles.

MARIA VAI COM AS OUTRAS – D. Maria I, mãe de D. João VI, foi considerada incapaz de governar, sendo afastada em 1792, acometida por controversos males mentais. Passou a viver recoilhida e era vista apenas quando saía para passear a pé. Devido a seu estado, jamais ia só. Sempre era acompanhada por algumas damas de companhia. O povo, quando a via assim, levada pelas damas, comentava: “lá vai D. Maria com as outras”. Atualmente, a expressão é dada para aquelas pessoas sem determinação, que não têm opinião própria, concordando sempre com o que os outros dizem ou fazem.

MATANDO CACHORRO A GRITO – A expressão significa estar desesperado, estar sem saída, estar passando grandes necessidades. Explicando toscamente: quando precisamos nos defender de um cachorro, mas não temos nada à sua mão, então o jeito é gritar tão alto até que o bicho morra de susto e fuja. É um ato de desespero de quem não tem outro recurso.

MEMÓRIA DE ELEFANTE - Diz-se que o elefante lembra de tudo que aprende. Então, quando as pessoas têm boa memória e se recordam de tudo, dizemos que elas tem memória de elefante.

MOTORISTA BARBEIRO - No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc. E por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão “coisa de barbeiro”. Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

NAVEGAR É PRECISO . . . VIVER NÃO É PRECISO – Muitas pessoas atribuem a frase ao poeta português Fernando Pessoa, que apenas a citou. Na verdade, seu berço é romano. O historiador Plutarco atribuiu esta frase ao general romano Pompeu. Naquela época havia fome em Roma e Pompeu foi encarregado para abastecer a cidade de gêneros alimentícios. Para isso organizou uma frota que foi à África, à Sicília e à Sardenha. No dia do regresso, com os navios carregados de trigo e outros grãos para alimentar a população, começou uma fortíssima tempestade. Os marinheiros, temerosos, quiseram adiar a viagem de retorno. Foi quando Pompeu, sabendo das dificuldades que passavam seus compatriotas, reuniu a marujada apavorada e fez uma histórica apelação, na qual teria dito a famosa expressão. Isso persuadiu a tripulação e a frota levantou âncora. A expressão até hoje é citada em momentos de graves decisões e serve de vigoroso estímulo a medrosos e indecisos.

NÃO É FLOR QUE SE CHEIRE – Por incrível que pareça, há uma flor repulsiva ao olfato. É a flor-cadáver, que apesar de linda, fede. Originária das florestas tropicais da Sumatra, é a flor mais malcheirosa do mundo. Antes de desabrochar, praticamente não tem cheiro, mas quando floresce libera um odor fétido, parecido com um cadáver exposto depois de vários dias. E assim, essa expressão popular lembra a pessoa pouco recomendável, que não merece confiança e, portanto, deve ser evitada.

NÃO ENTENDER PATAVINAS - Os portugueses tinham enorme dificuldade em entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova. Daí que não entender patavina significa não entender nada.

NECA DE PITIBIRIBAS - O termo neca equivale a nada e vem do latim nec, que significa não. De acordo com o dicionário Houaiss, o termo pitibiriba (ou pitibiribas) é tipicamente brasileiro. Ele quer dizer nada ou coisa alguma. Então foi só juntar os dois termos, apenas para reforçar.

NOVINHO EM FOLHA - De acordo com Flávio Vespasiano Di Giorgi, professor de Lingüística da PUC, a expressão “novinho em folha” surgiu em alusão a livros recém-impressos, que estariam com as folhas limpinhas, sem dobras, riscos ou diferenças na coloração. Eram livros, portanto, “novinhos em folha”.

O QUE É DO HOMEM, O BICHO NÃO COME - A frase quer dizer que as características intrínsecas às pessoas não podem ser modificadas por fatores externos. O “bicho” representa a sociedade, as leis, regras ou até outras pessoas. Segundo o dito popular, não adianta nenhum destes “bichos” lutarem contra os sentimentos e características arraigados em alguém.

O PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER – Diz-se da pessoa que não quer ver o que está bem na sua frente. Nega-se a ver a verdade. Parece que a expressão surgiu em 1647, em Nimes, na França, na universidade local. Naquela época, o doutor Vicent de Paul D'Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

OLHOS DE LINCE - Ter olhos de lince significa enxergar longe, uma vez que esses bichos têm a visão apuradíssima. Os antigos acreditavam que o lince podia ver através das paredes.

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS - Significado: Lugar longe, distante, inacessível. Histórico: Depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas caiu em depressão e culpa, vindo a se suicidar enforcando-se numa árvore. Acontece que ele se matou sem as botas. E os 30 dinheiros não foram encontrados com ele. Logo os soldados partiram em busca das botas de Judas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro. A história é omissa daí pra frente. Não sabemos se acharam ou não as botas e o dinheiro. Mas a expressão vem atravessando vinte séculos. Há também muitas expressões com o mesmo significado e o mesmo “personagem”, como “no calcanhar do Judas”, “cafundó do Judas, etc.

OVO DE COLOMBO - Expressão muito conhecida. É aquilo que parece não ser possível fazer, mas se revela muito simples e fácil, depois de feito. Seu berço está no nome de Cristóvão Colombo, o descobridor da América. A historinha, que nem todos conhecem, é a seguinte: de volta à Espanha como herói por haver descoberto o Novo Mundo, foi homenageado pelo cardeal Pedro Gonzalo de Mendonza com um lauto jantar. Nele, um fidalgo, ciumento e despeitado, menosprezou o feito de Colombo, garantindo que qualquer um poderia ter feito a descoberta, pois já era sabido que existiam terras a oeste. A essa crítica, Colombo evidentemente não poderia dar resposta imediata. Optou então por uma brincadeira cheia de significação: tomou um ovo, convidou todos os presentes a pô-lo de pé. Cada um tentou, mas em vão. Aí, Colombo quebrou a casca de uma extremidade do ovo e, pondo-o de pé, demonstrou com simplicidade como era fácil descobrir o caminho do Novo Mundo – depois que alguém já o tivesse feito. . .

PASSAR A MÃO NA (OU PELA) CABEÇA – A expressão parece ter seu berço no costume judaico de abençoar seus filhos ou netos convertidos ao cristianismo (cristãos-novos), passando-lhes a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se pronuncia uma bênção. É uma convicção de que essa atitude atrai a aprovação de Deus. Atualmente significa perdoar ou acobertar erro ou até crime praticado por um protegido.

PEGAR NO BICO DA CHALEIRA – Expressão ainda usada no Brasil. Significa bajular, incensar, gabar servilmente. Seu berço foi no Rio de Janeiro, então capital federal, a partir da poderosa figura do general José Gomes Pinheiro Machado, senador pelo Rio Grande do Sul, presidente do Partido Republicano Conservador, homem forte do Legislativo brasileiro e por 20 anos, entre 1895 e 1915, eminência parda de muitos governos. Ele, como todo bom gaúcho, mantinha na sala de sua casa uma pequena chaleira com água quente para alimentar sua bomba do chimarrão. Choviam-lhe políticos para obter sua bênção e favores. Todos disputavam o privilégio de segurar a chaleira para o chimarrão que o caudilho tomava, poupando ao senador o trabalho de preparar ou servir sua bebida preferida. Na ânsia de serem os primeiros, seguravam a chaleira por onde melhor calhasse: pelo cabo, pelo bojo e até pelo bico - neste caso, queimando os dedos. Mas que importava? Valia uma dorzinha besta para conseguir vantagens. O hábito acabou gerando o verbo chaleirar, praticado pelo chaleirador, o adulador, puxa-saco, etc.

PEGAR NO BREU – Vem dos tempos em que era comum soltar muitos balões nas festas juninas. A tocha deles era feita de sacos de estopa molhados com parafina de velas derretidas. No centro dessa mecha havia breu, substância escura e inflamável, muito utilizada também na produção de colas, tintas e vernizes. Quando o fogo atingia o centro da mecha, o balão tomava força e subia rapidamente. Dizia-se então que o balão havia pegado no breu (pegado impulso). Atualmente, a expressão designa situação que não pode inverter o rumo nem retornar à etapa anterior.

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA - A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

PERDER (OU GASTAR) O LATIM – O latim ainda é a língua oficial do Vaticano. Até o século 18, era o idioma da comunicação dos mais letrados. A expressão é comumente utilizada para designar o trabalho improdutivo, a realização de um esforço vão ou um discurso ou apresentação de uma idéia onde ninguém presta atenção ou acredita.

PERDER DE W.O. - A sigla W.O é a abreviação da palavra em inglês walkover. Significa alguma coisa que foi conseguida muito fácil, sem nenhum esforço. Quando numa partida esportiva, um dos times não aparece, ou não tem representantes suficientes para disputar, o adversário vence automaticamente. A vitória conseguida sem que os times tenham jogado é conhecida pela sigla.

POSIÇÃO QUE NAPOLEÃO PERDEU A GUERRA - Tem duas versões. A primeira diz que teria surgido depois da batalha de Waterloo. Atingido de raspão, Napoleão caiu ao solo e não conseguiu levantar-se. Arrastou-se então, como cobra, com as nádegas para cima, até que, cercado pelos inimigos, entregou-se nessa posição. Mas há quem discorde, afirmando que a expressão estaria relacionada à trágica retirada do exército de Napoleão, dizimado na Rússia pelo "general inverno". Os solados, vencidos por um frio desumano e vergados ao peso das mochilas e materiais transportados, caíam em plena marcha e muitos morriam de hipotermia, ali mesmo, de cócoras, com a cara no chão gelado.

PRÁ INGLÊS VER - A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra estava começando a combater a escravatura e exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas. Assim, essas leis eram criadas apenas "para inglês ver". Daí surgiu o termo. A abolição da escravatura só aconteceu realmente em 1888, 58 anos depois.

QUEIMAR AS PESTANAS - Significa estudar muito. Usa-se ainda esta expressão, apesar de o fato real que a originou já não ser de uso. Foi, inicialmente, uma frase ligada aos estudantes, querendo significar aqueles que estudavam muito. Antes do aparecimento da eletricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler, vindo daí a expressão.

QUEM MUITO SE ABAIXA, O CU APARECE – Na realidade, o ditado popular era “quem muito se abaixa, oculto padece”, que é um conselho/um aviso, para as pessoas.

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO – Significa que, se você não pode fazer algo de uma maneira, se vira e faz de outra. Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia "quem não tem cão caça como gato", ou seja, sozinho, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

QUEM TEM BOCA VAI A ROMA – Antiga expressão, que vem da antiguidade. Sua origem era “quem tem boca vaia (verbo vaiar) Roma”, de uso corrente na população antiga de Roma, revoltada com a cobrança dos altos impostos.

QUINTOS DOS INFERNOS - Reinaldo Pimenta, na obra A Casa da Mãe Joana, conta que durante o século 18 os portugueses coletavam diversos impostos na colônia, entre eles, a quinta parte (20%) de todo ouro extraído. Depois da coleta, enviavam estes impostos – chamados de "quinto" – para Portugal. O povo da metrópole, que achava que o Brasil ficava muito longe, no fim do mundo, dizia: "Lá vem a nau dos quintos do inferno".

RASGAR A SEDA - A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão para cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: “Não rasgue a seda, que se esfiapa.”

RENTE COMO PÃO QUENTE – Tem a ver com o pão matinal da primeira refeição. Ele não pode faltar no café da manhã. Rente exprime proximidade e também constância, assiduidade. A expressão tem tudo a ver com pressa e pontualidade.

RESPOSTA LACÔNICA – Felipe da Macedônia (norte da Grécia), queria unir todos os povos gregos sob seu domínio. Armou então um poderoso exército e partiu para a conquista de outros territórios, onde se fez aclamar rei. Esparta, porém, resistiu. Os espartanos ocupavam a região sul da Grécia, chamada Lacônia. Felipe cercou as fronteiras da Lacônia e enviou a seguinte mensagem aos espartanos: “Se não se renderem imediatamente, invadirei suas terras. Se meus exércitos as invadirem, pilharão e queimarão tudo o que vocês mais prezam. Se eu marchar sobre a Lacônia, arrasarei sua cidade”. Alguns dias depois Felipe recebeu uma resposta. Abriu a carta e encontrou somente uma palavra escrita: “SE” . Daí a denominação de lacônica a respostas secas e curtas.

RODAR A BAIANA – Quando alguém recorre a essa expressão, é sinal que fai fazer um escândalo público, reagir com estardalhaço ou soltar tudo que vier à cabeça. Mas essa expressão não tem origem na Bahia, e sim no Rio de Janeiro. É que no inicio do século 20, os integrantes dos blocos de carnaval saiam fantasiados pelas ruas, cantando e dançando. Alguns espectadores, aproveitando a euforia geral, passavam a mão nas bundas das moças que desfilavam. Para acabar com isso, alguns capoeiristas passaram a se fantasiar de baiana e a amarrar lâminas de navalha na barra de suas saias. E, quando eles viam coisas do tipo, rodavam a baiana, levantando as saias e retalhando quem estivesse por perto. As pessoas só viam a baiana rodar e começar a confusão.

SAIR (OU FICAR) COM O RABO ENTRE AS PERNAS – Quando um cachorro é enxotado de um lugar, ele sai cabisbaixo, com o rabo entre as pernas. A expressão, então, ficou sendo usada para aquela pessoa que, depois de humilhada, sai envergonhada e sem esboçar nenhuma reação.

SANTO DO PAU OCO – No começo do século XVIII, a Coroa Portuguesa cobrava o Quinto, um imposto muito alto sobre o ouro extraído das minas. Os mineradores de Minas Gerais então, mandavam fazer santos ocos de madeira para poder esconder ouro dentro deles e assim poder escapar dessas cobranças. A grande religiosidade do povo impedia que os guardas das barreiras quebrassem as imagens para ver o que havia dentro. Esta foi a maneira encontrada na época para burlar o Quinto. A expressão se refere portanto aquela que não é nenhum santo.

SEGURAR A VELA - No período correspondente à Idade Antiga e Média, as pessoas acendiam velas para fazer suas atividades noturnas como, por exemplo, jantar, tomar banho, entre outras. Na Idade Média, as pessoas que eram designadas ao trabalho braçal seguravam as velas para que seu senhor enxergasse o que fazia. Em eventos e estabelecimentos que só funcionavam à noite, colocavam garotos para acender e segurar velas. Esse também era o trabalho desempenhado por alguns criados que seguravam candeeiros para que seus patrões pudessem ter relações sexuais com luz, porém durante todo o ato sexual eles deveriam manter-se de costas, de forma a não invadir a privacidade do casal. Ao longo do tempo o termo “segurar vela” ganhou diferentes definições e a mais recente é a utilizada para designar o papel de um amigo solteiro que acompanha um casal de namorados, ficando esse ‘sobrando e/ou atrapalhando’ o clima romântico do casal.

SEM EIRA NEM BEIRA - Os telhados de antigamente possuíam eira e beira, detalhes que conferiam status ao dono do imóvel. Possuir eira e beira era sinal de riqueza e de cultura. Estar sem eira nem beira significa que a pessoa é pobre e não tem sustentáculo no raciocínio.

SOLTAR A FRANGA – A galinha é um dos animais com mais longo período de cio, praticamente incessante. Como as galinhas domésticas geralmente ficam presas em cercados, soltá-las seria a forma metafórica de liberá-las para a prática do desejo sexual. Assim, a expressão significa assumir a posição homossexual, ou adotar o comportamento do sexo oposto. Mas também tem conotação mais ampla, como momentos de explosiva liberação pessoal (fazer ou dizer o que quiser, por exemplo), não necessariamente homossexual.

SORRISO AMARELO - É o riso forçado, meio sem jeito, constrangido. O sentido da expressão tem, evidentemente, a ver com a origem da cor amarela, que vem do latim amarus, amargo, acre, difícil, com derivação para o hispânico amarellu, pálido. Em tempos idos e vividos, o vocábulo se aplicava aos doentes de icterícia, que ficam amarelos devido a alterações na bílis, secreção amarga produzida pelo fígado. Quem exibe um riso amarelo quase sempre só abre a boca num meio sorriso por questão de educação porque no fundo, no fundo, está é pensando em chupar a carótida de seu interlocutor . . .

TEMPO DO RONCA - A expressão correta é do tempo do onça. onça. O onça era o governador da cidade do Rio de Janeiro, Luís Vahia Monteiro, militar português que lá chegou em 1725. Muito ranzinza e severíssimo, ganhou esse apelido de onça do povão, que o odiava. Destituído do cargo 7 anos depois, sumiu das terras cariocas deixando um rastro de profunda antipatia e a lembrança de um tempo ruim, o tempo do onça . . .

TEMPO É DINHEIRO - O físico Benjamin Franklin (1706-1790) teria chegado a ela depois de ler obras do filósofo grego Teofrasto (372-288 a.C). O pensador grego, a quem é atribuída a autoria de cerca de 200 trabalhos em 500 volumes, teria mencionado a frase: tempo custa muito caro. Isso porque ele escrevia, em média, um livro a cada dois meses.

TER DENTE DE COELHO - Quando um problema é muito intrincado, exige habilidade para ser solucionado e parece esconder alguma artimanha. Diz-se, então, que ali tem dente de coelho. Lembra o que acontece com os dentes desse animal: por mais que tente, não os consegue esconder. Aparecem, mesmo estando o bicho de boca fechada e lábios cerrados. Esperteza e espírito arguto também caracterizam esse animal. Diante disso, a expressão “ter dente de coelho” acabou traduzindo a idéia da existência de algum problema confuso criado pela intenção humana, e que vai exigir certa habilidade para ser resolvido. Dessa forma, em todos os casos onde existem armadilhas, dificuldades ou artimanhas ocultas, mas que podem ser percebidas com o uso de um pouco de atenção, a frase é cabível e perfeitamente aplicável.

TER SANGUE DE BARATA - Tem gente que pensa que as baratas não têm sangue. Elas têm sim, mas não é como o nosso. No caso delas, é um líquido quase pastoso e frio, como uma gosma, que transmite suas sensações. Ela não sente dor como nós sentimos, por isso resiste tanto. Daí dizer-se que uma pessoa tem sangue de barata quando não se altera facilmente, mesmo diante de situações difíceis. É o caso de alguém de temperamento frio e de extrema paciência.

TIRAR O CAVALO DA CHUVA - No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia deixar o animal assim protegido se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

UM É POUCO, DOIS É BOM, TRES É DEMAIS - De acordo com o escritor Deonísio da Silva, esta frase foi popularizada no século XX, em uma canção do compositor brasileiro Heckel Tavares (1896-1969). “Os versos dizem ‘numa casa de caboclo, um é pouco, dois é bom, três é demais’ ”, explica o escritor. Embora a expressão seja relativamente recente, Deonísio afirma que seu sentido já aparecia na Bíblia. Segundo o Velho Testamento, três pessoas formavam um grupo grande demais para discutir assuntos íntimos.

UNHA DE FOME – Dá-se o nome de unha-de-fome ao sujeito mesquinho, pão-duro, sovina, avarento. Historicamente, a expressão sugere uma imagem negativa: a dos cristãos em relação aos judeus, que conseguiam obter rendimentos dos bens que acumulavam. Como as unhas simbolizam as garras de alguns animais, eram aqueles que se apegavam ao dinheiro ou aos bens materiais de maneira exagerada, como os animais para não perder a sua presa.

VÁ SE QUEIXAR AO BISPO - No tempo do Brasil colônia, por causa da necessidade de povoar as novas terras, a fertilidade na mulher era um predicado fundamental. Em função disso, elas eram autorizadas pela igreja a transar antes do casamento, única maneira de o noivo verificar se elas eram realmente férteis. Ocorre que muitos noivinhos fugiam depois do negócio feito. As mulheres iam queixar-se ao bispo, que mandava homens atrás do fujão.

VAI DAR ZEBRA – A zebra não figura entre os 25 bichos do jogo do bicho. Mas em 1964, um treinador de futebol muito galhofeiro garantiu a todos os repórteres que, naquele ano, a Portuguesa seria a campeã carioca de futebol. “Vai dar zebra”, dia ele. Os repórteres adoraram a brincadeira e o termo, passando a divulgá-lo, tanto no esporte quanto na política ou em qualquer acontecimento inesperado.

VOTO DE MINERVA - Na Mitologia Grega, Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado de tê-la assassinado. No julgamento havia empate entre os jurados, cabendo à deusa Minerva, da Sabedoria, o voto decisivo. O réu foi absolvido, e Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.

*O texto pode conter palavras de baixo calão, mas serão usadas para que seja compreendido o contexto da postagem e não como forma de ofensa aos leitores deste blog.